Posts tagged with TDAH

Porque GTD, parte 5

May 10th, 2008

Aqui estou com mais um post de série Porque GTD, agora falando sobre o segundo passo do processo GTD,

PROCESSAR

Geralmente a maioria das nossas tentativas de organização pessoal só faz, de fato, a captura. No meu caso, um de meus maiores problemas é que tenho caixas de entrada demais e depois tento executá-las no momento em que começo a contextualizar as coisas. Se o TDAH detona as funções executivas, vou tentar usar Getting Things Done como ajuda comportamental. A “mágica”do GTD está no fato de que estaremos seguros de que, após o processamento, nossos open loops se tornarão ações e informações confiadas a um sistema concreto e confiável.

“O que você precisa perguntar (e responder) a você mesmo sobre cada recado, e-mail, idéia que vem à mente?”, provoca David? Processar significa seguir o seguinte fluxo de perguntas:

1. O que é isso (What is it)?

Por mais idiota que soe a pergunta, poucas vezes nos fazemos. Acabamos por juntar pilhas de papéis e mensagens que poderiam estar no lixo ou com quem deveriam estar, não em nossa mesa, em nosso e-mail e em nossas cabeças.

2. Existe alguma ação associada a isso (Is it actionable)?

Há duas respostas para isso: SIM e NÃO.

Se a resposta é NÃO, temos três possibilidades:

(i) Isso é lixo, não preciso mais disso, então para o lixo com o papel, o e-mail, o que quer que seja isso;
(ii) Não é preciso fazer nada agora, mas algo poderá ser feito no futuro (incubar). Um “tickler file”, uma lista de lembretes terá esse item registrado e periodicamente revisado;
(iii) O item é informação potencialmente útil em algum momento (referência). Um arquivo simples e objetivo vem a calhar.

Se a resposta é SIM, você precisa determinar agora

(i) Com que “projeto” ou resultado você se comprometeu? Isso vai parar numa lista de “Projetos”. Projetos, em GTD, são qualquer objetivo que, para ser alcançado, exija mais de uma ação. Dessa forma, poderíamos dizer que Projetos são a denominação para Open Loops registrados no nosso sistema. Uma revisão semanal vai trazer esses projetos à tona até que aS ações restantes deles sejam completadas ou eliminadas.

(ii) Qual a próxima ação necessária? A “próxima ação” é a próxima atividade física, literalmente, que precisa ser executada para que se chegue mais próximo do 100%, digamos assim. Alguns exemplos:

  • ligar para Fred e lembrar do uísque que ele deve.
  • listar tópicos para 10 posts do blog.
  • preparar um curriculum vitae atualizado.
  • cotar um template customizado para o Desligado com Mabuse.

Uma vez estabelecida a próxima ação, há três caminhos:

(i) Fazer isso. Se uma ação durar menos que dois minutos, ela deverá ser feita no momento em que isto é definido.
(ii) Delegar isso: Se a ação vai demorar mais que dois minutos, é bom se perguntar (e responder) se você é a pessoa certa para fazer aquilo. Em caso negativo, delegue a ação para a pessoa certa.
(iii) Adiar isso. Em inglês, “defer”. Se essa ação durar mais que dois minutos e for sua, coloque ela em uma de suas listas de próximas ações até que seja efetivamente executada.

Terminei esse post começando o próximo. A organização é o passo seguinte no processo de Getting Things Done, o resultado de processar todas as coisas coletadas, e esse é o tópico a seguir. Até breve!

Porque GTD, parte 4

May 8th, 2008

Depois de alguns dias de atraso, continuamos nossa série sobre GTD, agora falando sobre a primeira das cinco fases do método criado por David Allen.

A COLETA

Para que a nossa mente possa focar em efetivamente fazer o que tem que ser feito, ela precisa se livrar do excesso de carga. No caso, os assuntos “incompletos”, inacabados, tudo aquilo que está em algum lugar na nossa mente, na nossa casa, no nosso e-mail, atrás do livros da estante, e que nunca vão nos deixar inteiramente em paz enquanto não fecharmos esses furos. David Allen chama eles de Open Loops, círculos que precisam ser fechados. Quem tem TDAH geralmente tem mais desses - ou somente desses.
Voltando: o que coletar, mais especificamente? Tudo o que você considera incompleto em sua vida. De coisas objetivas, tangíveis, como uma conta a pagar atrasada ou um documento que você precisa entregar a alguém, até um sonho impossível como “um dia vou sair para jantar com a Scarlett Johansson”.

Scarlett

Na verdade, David diz, estamos sempre coletando essas coisas o tempo todo. O segredo é que isso não deve ser feito em nossa cabeça, mas em “caixas” aonde você possa, em determinando momento, decidir o que essas coisas são e o que, se achar conveniente, fazer a respeito destes itens. E fazer tudo isso através de um sistema sólido, confiável e que permita foco aonde foco é necessário.

E que “caixas” seriam estas, afinal? GTD enumera algumas, que podem ser as suas, minhas - ou não:

  • uma caixa de correspondência, daquelas que ficam em cima de mesas de escritório um bloco de notas ou similar;
  • um bloco de notas eletrônico;
  • seu e-mail;
  • David também fala de um dispostivo de gravação de áudio, mas eu não penso em usar isso (por enquanto).

Essas caixas precisam ser administradas regularmente. Como caixas de entrada, precisam receber sempre os open loops, para poder deixar sua cabeça livre para FAZER, mas também precisam ser esvaziadas constantemente. São somente um ambiente controlado para que você possa organizar e decidir o que fazer com tudo aquilo.

Assim sendo, no próximo post vamos apresentar o segundo passo no método GTD: organizar.

Porque GTD, parte 3

May 3rd, 2008

No post anterior eu coloquei o diagrama do processo de David Allen, Getting Things Done. Agora vou começar a explicar um pouco mais como as coisas são feitas, literalmente.

Traduzindo livremente David Allen, “nós coletamos as coisas que demandam nossa atenção; (ii) processamos o que elas significam e o que devemos fazer a respeito delas; (iii) organizamos os resultados, que (iv) revisamos como opções para o que escolhemos para (v) fazer.”

De uma forma simples, há cinco estágios em GTD:

(i) coletar
(ii) processar
(iii) organizar
(iv) revisar
(v) fazer

Geralmente, nossos métodos dizem respeito somente a partes disso: coletamos somente coisas relativas ao trabalho em listas no micro, por exemplo, ou ainda revisamos somente as coisas que conseguimos lembrar por nao termos processado e organizado adequadamente.

GTD propõe um sistema relativamente simples para integrar tudo isso, e é exatamente isso que faz esse sistema ser extremamente valioso para uma pessoa - tenha ela TDAH ou não.

CrazyBusy

April 23rd, 2008

O Dr. Edward Hallowell é um psiquiatra especialista em TDAH que escreveu uma série de livros muito interessantes e atrativos a leigos sobre o assunto, como o Tendência à Distração.

Dr. Hallowell, sorridente com o sucesso de seus livros.

Depois de um tempo, descobri um livro bem legal do mesmo Hallowell chamado CrazyBusy (em português, editado com o horrível título Sem Tempo Para Nada), que fala sobre o déficit de atenção socialmente induzido e que hoje é uma realidade: com a internet, mobilidade e tecnologias afins levando informação 24×7 para as pessoas, a chance de perder o controle sobre a nossa vida é cada vez maior, inclusive para pessoas que não tem o TDAH

Excelente leitura para os estressados como ritmo da vida atual - e para aqueles com TDAH também.

Hiperfoco do(s) dia(s): Wordpress

April 21st, 2008

Estou completamente obcecado em fazer um layout legal para o blog. Tanto que esqueci todas as outras coisas e pessoas ao meu redor. Tenho que pensar em sempre ter uma lista de coisas para fazer no dia para não perder a noção de prioridades, mas isso não é somente uma questão de vontade, tampouco de método. Agh.

O que se passa comigo, a música

April 19th, 2008

Escrevi essa para Juliana, num dos momentos mais tristes de minha vida. Um pedido de desculpas, sei lá, talvez de aceitação, por ser quem eu sou.

O que se passa comigo

eu queria cantar alguma coisa pra você
e pedir desculpas
já que eu sou quem sou
fazer você acreditar em mim
e confiar que tudo vai dar certo

mas eu não sei
acho que eu gosto de ser assim mesmo
mas eu não sei
o que se passa comigo e com o mundo.
eu não sei, eu não sei, eu não sei

eu queria chorar a minha vida com você
e pedir ajuda
já que eu sou quem sou
dividir a minha solidão
e acreditar que tudo vai dar certo

mas eu não sei
acho que eu gosto de ser assim mesmo
mas eu não sei
o que se passa comigo e com o mundo.
eu não sei, eu não sei, eu não sei

O que se passa na minha cabeça?

April 19th, 2008

Sempre começo blogs. Nunca continuo eles.

A bem da verdade, sempre começei muitas coisas em minha vida, geralmente de forma prodigiosa. Um assombro para os outros, um orgulho para meus pais. Poucas carreguei por muito tempo, sempre trocando por outras mais brilhantes.

Nunca entendi isso. Nunca entendi porque as coisas só me interessavam num primeiro instante. Porque nunca conseguia dar prosseguimento a nada. Porque a rotina de qualquer coisa, do trabalho ao lazer, era tão dolorosa e impossível. Sabe aquela coisa do potencial claro mas que nunca é atingido? Eu e o Brasil, o cara e o país dos futuros que nunca chegam.

Fiz muitos anos de terapia até que, no começo do ano passado. minha psicóloga recomendou que eu conversasse com um psiquiatra sobre tratamentos medicamentosos para o que é conhecido como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

Em dezembro de 2006 abandonei minha empresa, a Jynx (www.jynx.com.br), depois de sete anos de esforços, achando que não aguentava mais aquilo, seja lá o que aquilo fosse. Inventava que o fone tocava ou que precisava ir ao banheiro a cada dois minutos, fosse qual fosse o momento, cliente, reunião, crítico ou não.

A ritalina entrou em minha vida, e com ela a necessidade de saber o que se passava em minha cabeça. Aliás, essa angústia por entender e por ser alguém melhor virou música, virou poesia. Depois posto aqui.

Dois anos depois, estou aqui com Juliana e Manuela, esposa e filha recém-nascida. Enquanto estou recluso e aprendendo a cuidar de uma coisa linda de nove dias de vida, resolvi começar esse blog para conversar com quem quer que seja sobre essa faceta de minha vida, que talvez seja a única, sei lá.

Esse foi pra começar. Té mais.